Jurisprudência e precedentes
Dados abertos do STJ: como auditar citações de repetitivos por máquina
O STJ publica a base íntegra dos precedentes qualificados em CSV, com tese, situação e leading case. O método para conferir citações em lote, e os limites.
Existe um jeito de conferir de uma só vez todos os temas repetitivos citados numa petição, num parecer ou numa peça da parte contrária, sem abrir o portal do STJ tema por tema: o próprio tribunal publica, no portal de dados abertos, o conjunto "Precedentes Qualificados", com a íntegra estruturada do que o portal de precedentes exibe, questão submetida a julgamento, tese firmada, situação atual, datas e órgão julgador, em arquivos CSV atualizados com frequência diária. Em 30 de julho de 2026, data da checagem que alimenta esta página, o recurso principal registrava atualização do mesmo dia. Para o advogado que trabalha com volume, ou que precisa auditar as citações de uma peça alheia, a diferença é de método: em vez de conferência manual, uma verificação em lote contra a fonte oficial.
Esta página documenta o método que usamos na produção do nosso tracker de temas repetitivos de família e sucessões, com os limites do que a base cobre. A verificação manual de um precedente isolado, incluindo acórdãos que a base estruturada alcança em parte, tem roteiro próprio.
O que a base contém, na prática
O conjunto vive em dadosabertos.web.stj.jus.br, no dataset "Precedentes Qualificados", e dois arquivos concentram o valor. O temas.csv, com 2.384 registros na data da checagem, dos quais 1.491 do tipo Tema, traz por linha: número do tema, tipo (tema repetitivo, IAC, controvérsia), a questão submetida a julgamento, a tese firmada quando existe, a situação (afetado, julgado, acórdão publicado, trânsito em julgado), as datas de cada marco e o órgão julgador. O processos.csv completa com relator, processo que serviu de leading case e, quando há, o recurso correspondente em trâmite no STF. A tese chega no campo teseFirmada como texto integral, o que permite comparação literal contra o que a peça auditada afirma.
O uso que fizemos ilustra o alcance. Para montar o tracker de família e sucessões, filtramos os 1.491 temas por um vocabulário de 24 palavras-chave, curamos os 57 candidatos manualmente e chegamos aos temas relevantes com tese verbatim; no caminho, a base oficial corrigiu dois registros do nosso próprio material interno, o leading case e a tese do Tema 1.200, e o texto integral do Tema 1.368, que até então só tínhamos por imprensa especializada. É o ponto que interessa a quem audita: o CSV resolve com autoridade a pergunta "essa tese existe e diz isso mesmo?", que é a que decide se o argumento sobrevive à conferência do juízo.
O método em cinco passos
O fluxo de auditoria que a base permite dispensa qualquer infraestrutura além de uma planilha ou um script simples. Baixe os arquivos temas.csv e processos.csv na página do dataset, registrando a data de atualização exibida. Extraia da peça auditada as alegações de repetitivo: número do tema e o que a peça diz que ele decide. Cruze cada número contra o CSV, comparando três campos: a tese firmada (a peça parafraseia com fidelidade?), a situação (tese firmada mesmo, ou tema apenas afetado?) e as datas (a peça cita julgamento que ainda vai acontecer?). Anote as divergências com o texto oficial ao lado. Guarde o CSV usado como evidência da conferência, com a data, porque a base muda diariamente e a auditoria vale para o dia em que foi feita.
Os erros que esse cruzamento captura são os três clássicos: tema citado com tese que a base registra como apenas afetado, sem julgamento; número de tema trocado, com a tese de um atribuída a outro; e paráfrase que amplia o alcance da tese, o defeito mais fino, que só a comparação literal revela. Para monitoramento contínuo, o mesmo cruzamento roda de tempos em tempos contra os temas que o escritório mais usa, acusando mudanças de situação, o trânsito em julgado que faltava, a afetação nova na matéria do cliente.
Os limites, declarados
A base cobre os precedentes qualificados, e o nome delimita: temas repetitivos, incidentes de assunção de competência e controvérsias. Súmulas, acórdãos avulsos e decisões monocráticas ficam fora do CSV, e a conferência dessas espécies segue o caminho manual. Dados estruturados tampouco substituem o inteiro teor: o arquivo entrega questão, tese e metadados, e a fundamentação, os votos e as ressalvas continuam no acórdão. Por fim, a auditoria por máquina confere a existência e a literalidade da tese, e deixa de fora o juízo de aplicação, saber se o caso concreto cabe na tese conferida segue sendo trabalho de advogado.
Perguntas frequentes
O que são os dados abertos do STJ?
O portal oficial em que o tribunal publica bases estruturadas, entre elas o dataset "Precedentes Qualificados", com os temas repetitivos, IACs e controvérsias em CSV: número, questão, tese firmada, situação, datas e órgão julgador, além do arquivo de processos com relator e leading case. A atualização registrada na página do recurso é diária.
Dá para conferir uma súmula ou um acórdão comum nessa base?
A cobertura é dos precedentes qualificados; súmulas, acórdãos avulsos e monocráticas exigem o caminho manual de verificação, com o número do processo conferido na consulta processual e a ementa lida na fonte. O roteiro passo a passo para essas espécies está na página de verificação de precedentes do STJ.
Como o cruzamento expõe uma citação incorreta?
A citação problemática costuma trazer número, tese e relator plausíveis; o cruzamento contra o CSV oficial expõe em segundos o tema que aponta para outra tese, a tese que ainda é mera afetação e a paráfrase que estica o alcance do julgado. A comparação é literal, contra o campo oficial da tese, com registro da data da base usada.
A base substitui a leitura do acórdão?
Ela responde se o tema existe, o que a tese diz e em que situação está; a fundamentação, os votos vencidos e as ressalvas de entendimento permanecem no inteiro teor. Auditoria de citação e estudo do precedente são etapas distintas: a primeira agora se automatiza, a segunda continua leitura profissional.
Fontes
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